14 de junho de 2011

Preconceito, racismo ou so medo?


"Noruegueses etnicos em breve serao a minoria".

Essa é a materia da capa do jornal Finans dessa semana. Eles fizeram uma pesquisa sobre o numero de imigrantes na cidade de Oslo, e chegaram a conclusão que se o fluxo continuar, em 2030 os noruegueses "originais" serao a minoria na cidade. Isso porque os noruegueses estao deixando a Capital enquanto mais e mais  estrangeiros estão chegando.  Eu ja tinha parado para pensar nisso, mas a situacao e bem mais delicada do que eu pensei. Creio que os noruegueses estao com medo, e eles tem de certa forma um pouco de razão...   "Problemet er at det blir færre norskkulturelle. Politikerne ser ikke de utfordringene våre barn blir stilt ovenfor". O problema é que há menos cultura norueguesa. Os políticos não vêem os desafios com os quais  nossos filhos serão confrontados. A reportagem diz que muitos noruegueses estão saindo de Oslo porque as minorias etnicas estão se tornando a maioria. Que os filhos nao conseguem mais fazer amizades nos colegios e creches, os noruegueses convidam os estrangeiros para as festas infantis compram comidas feitas sem porco e mesmo assim eles nao vem. (Uma amiga minha trocou os filhos de creche pq la tinham muitos filhos de estrangeiros, putz como assim??? Os filhos dela tem os olhinhos puxados, igual a mãe que e asiatica!) 

E os meus futuros filhos, como serão tratados? No Brasil tanto faz se voce e filho de estrangeiro ou não, ninguém vai estudar a arvore geneologica da sua familia, mas pelo que percebi, ainda que nasçam aqui, tenham pai norueguês e se parecam com ele, eles vão levar a estampa "Brasileiro". Por outro lado não observo nenhuma movimentacao em se preservar a propria cultura norueguesa. Os novos cantores so cantam em inglês e os que cantam em noruegues nao sao exatamente "etnisk norske", ver Erik og Kriss. A praticidade na hora de fazer comida faz com que cada vez menos os noruegueses saibam fazer "pratos tipicos", o negocio é "pizza grandiosa"... Eles tambem nao tem uma "identidade" na hora de se vestir... A unica grande festa é o 17 de maio. Nada de carnaval, Festas Juninas, São Cosme e Damião ou coisas do gênero. Ah sim, agora comecam a comemorar o halloween mas peraí isso nao é  americano? Nessa reportagem eles usam as expressões kulturfatige e kulturløse (cultura pobre, perda de cultura), para se refirir ao futuro das criancas. Acho que respeitar todas as culturas é importante, mas mudar nossa cultura em prol de uma outra é loucura. Na matéria eles dizem que uma das escolas mudou o nome da festa de final de ano de juleavslutningen para desemberavslutningen (Encerramento natalino x Encerramento de dezembro). Acho que a Noruega tem um grande pepino nas mãos... Como integrar os estrangeiros, que tem o habito de se isolar em grupos, sem perder sua propria ja bombardeada identidade?

14 comentários:

Luciana disse...

O meu medo morando aqui é que alguns venham a impor uma cultura machista pra cima da gente e o país regrida nas igualdades entre os sexos. Se brincar vamos ser obrigadas a cobrir o cabelo, pelo menos é essa a vontade que vejo junto a meus colegas de escola. Até falarem em mudar a religião e o nome da igreja da Noruega eu já ouvi.
Fora isso tudo mais é muito complicado também.

Beijo

Carolina Krogedal disse...

Na única vez que usei um decote para ir ao curso de Norueguês a professora chamou minha atencão, dizendo que era pra eu nao sorrir tanto e nao usar decotes. A minha vergonha era tanta que eu não sabia onde enfiava minha cara... Foi UM dia que eu usei, por insistencia da minha amiga pra nunca mais...
Por isso essa onda de estupros em Oslo... Deveria fazer parte das aulas de Samfunnsfag o tema "nao abusar das mulheres, independente de como elas estejam vestidas"... Mas acho que é mais fácil repreender os decotes que os fanáticos... :-(

Daniela Pedrinha disse...

Podem me chamar de preconceituosa ou racista, mas eu tenho medo de certos povos sim. Tenho medo do radicalismo deles... mas eu não cubro meu cabelo coisa nenhuma, nem rezo para Alá.

A caminho de Oslo vi uma mesquita construída e fiquei me perguntando que poder é esse que eles tem. Não que não possam trazer sua religião para cá, mas imaginem se todos resolvessem fazer isso, a bagunça que podia tomar conta do país?

Carolina disse...

Eu tambem tenho medo do machismo de certas culturas. Um desses estupradores falou que estuprava mesmo porque no pais dele é permitido, horrível.

Carolina Krogedal disse...

Vocês tem medo, pois eu tenho é pavor... no final do ano passado um deles me seguiu pelo shopping... Tipo grudou em mim... e foi logo mandando uma bateria de perguntas... De onde você é? Você é casada? Você quer tomar um café? Ai eu educadamente respondi: Estou indo encontrar um amigo, (na verdade era amiga, mas eu estava tentando despachar o cara), não é que o infeliz me seguiu? Chegando lá minha amiga me entendeu mal e achou que o carinha era meu amigo, affffsssssss. Eu tremia que nem vara verde, eu lá conversando com minha amiga e ele sentado olhando p/ mim com cara que queria dar o bote... e nada dele ir embora... quando acabamos de comer, chamei minha amiga p/ ir ao banheiro, expliquei a situacão toda a ela, e ficamos lá por uns 20 minutos. Gracas a Deus quando saímos o homem tinha ido embora. Nesse dia fiz meu marido me buscar dentro do shopping. Se eu já tinha medo, agora eu tenho pavor.

Anônimo disse...

Oi Carolina! Que bom que escreveu novos posts...ja estava aguardando pra saber qual seria o tema!! hehehehe Fiquei passada com essa estoria de perseguicao, me fez lembrar de um episodio aqui na cidade que moro ( Kristiansand)onde uma garota da mesma escola para estrangeiros que minha filha estudava ( gracas a Deus ela ja esta na escola regular) perseguia com insistencia a tal garota que era do mexico, bem bonitinha e espontanea..gostava conversar etc...Pois um garoto mais velho, de um desses paises arabes, sei la, levou isso como provocacao e ficava querendo agarrar a menina a forca..perseguia ela no ponto de onibus, entrava no mesmo onibus...e ele dizia a ela que os homens da cultura dele agiam assim, que sempre conseguiam o que queriam, mesmo que a forca...presenciei uma dessas perseguicoes e aconselhei a ela procurar a direcao da escola assim como avisar aos familiares o que tava acontecendo...fiquei com um nojo tao grande da cara do moleque que queria dar uns tabefes nele hehehehe
Concordo com vc na questao ao pavor a essas culturas machistas e reacionarias,radicalistas..E engracado, é o povo que mais se vê nas escolas estrangeiras...Fiquei mesmo aliviada quando minha filha mudou pra escola regular...
Sera preconceito? Nao quero ensinar a minha filha o preconceito, mas é fato que uma cultura diferente da nossa- quando tao diferente,e retrograda -nos
deixa preocupada...Ainda mais podendo causar danos.
Parabens pelos posts! beijokas,
Maria.

Carolina Krogedal disse...

Esse dia eu fiquei com muito medo, aquele carinha era do tipo que tomaria a forca, tenho certeza disso. Eu não quero nem saber se é preconceito ou não, mas quando o meu sexto sentido fala mais alto eu me afasto meeeeeeeeeeeeeeeesmo.
Melhor prevenir do que remediar, certo?

Luciana disse...

Eu acho que como temos experiências a contar, e em bom número, não é preconceito e sim conceito.
Nunca aconteceu nada de tão mais ousado comigo, mas as vezes eu estava esperando ônibus e chegava uns pra puxar papo, passei a ficar dentro da H&M até o busäo chegar.
Outro cara na escola ficava me perseguindo com o olhar, um dia pegou o mesmo ônibus que eu, eu achei que o cara tava me seguindo, fiquei na minha e já tinha decidido vir e voltar pra cidade e descer no centro, mas eles desceu antes de mim, ainda bem.
Na escola eu tinha uma colega que é bem espontânea, simpática demais, puxa assunto com todos, cumprimenta com dois beijinhos ou aperto de mäo, saia do canto dela pra bater papo com os homens da sala, um dia um veio fazer um trocadilho entre seks e sex e disse que queria fazer sexo com ela, ela ficou chocada, fora que ela contou que ele ficava batendo no ombro dela, no braco, procurando contato físico, esse acredito näo é estuprador, mas se dá ao direito de avancar.
Aqui na região de Stavanger estavam rolando uns estupros também, não sei se diminuiu, pior foi ouvir de mulheres que se uma mulher vai pra balada, bebe e pega um taxi bêbada, de mini saia e tal, acaba deixando livre pro cara estuprar. Mentalidades que precisam mudar.

Tenho pavor também.

Beijo

Flavia disse...

Mesmo de fora acompanha os acontecimentos na Noruega e, ao que me parece, toda crítica norueguesa, medo, racismo ou seja lá o que for, provem tão somente do "grande coraçao" do governo noruegues. É sabido de casos em que o governo dá dinheiro a estrangeiros que não trabalham ou não querem trabalhar por saberem que terão ajudinha de custo todo mês. Então o povo dos arredores migram para tao caridoso país. Já vi em Oslo uma mulher, de algum país de "alá meu bom alá", mendigando enquanto falava ao celular... e nao era um celular pobrezinho nao!
Os guetos são cada vez maiores e o governo ainda apoia a pratica e manutençao da cultura desse povo. Nao concordo que devamos deixar nossas raizes de lado, mas se nos propusemos a mudar de país temos que respeitar a cultura do mesmo e nao querer transformá-la e impor nossa cultura em detrimento da deles.
Se querem cobrir os rostos, como ninjas, ou ir a mesquitas como a Daniela falou, fiquem em seu proprio país.

rox disse...

Carolina,tenho lido seu blog por ser casada com um noruegues, mas vivo atualmente no Brasil e tento acompanhar a vida das brasileiras aí e tentar entender como elas lidam com as diferenças e dificuldades com que se deparam.
Já vivi na Noruega por aproximadamente 2 anos(entre indas e vindas)e optamos por morar aqui;embora isso traga impecilhos profissionais à meu marido.Ele adora o Brasil e a vida que levamos aqui,mas ainda depende de estar aí à trabalho por pelo menos alguns meses por ano.3 ou 4.Trabalhos contratuais.Recentemente, sentimos que a melhor opção seria de nos estabelecermos aí de vez.Tenho muitas duvídas pois já morei aí antes e tive problemas de adaptaçaõ,quanto ao clima,dificuldades com a frieza das pessoas,etc...gostaria de manter contato para que possamos trocar informações e idéias sobre a vida e possibilidades por essas bandas.Te conto mais à respeito de mim posteriormente.Muita sorte pra ti.Mesmo sem te conhecer pessoalmente te sinto como amiga.Abraços.

Carolina Krogedal disse...

Rox, a vida aqui não é fácil. Eu fiz tudo o que meu maridinho falou p/ fazer... Aprendi o idioma, fiz amizades, arrumei emprego, comecei a me exercitar... fiz tudo, tudinho p/ ajudar a minha adaptacão por essas bandas... Mas as vezes, com tudo isso, uma tristeza que vem de nao sei de onde me invade, principalmente no inverno :-( Mas me diz, em 19 dias tivemos uns 14 com chuva... Tem como manter a esportiva com um clima desse? A gente aqui mata um leão por dia e os noruegueses sabem disso.

Anônimo disse...

Saiu no jornal nao faz muito tempo que tem muculmanos aqui na Noruega fazendo bullying nas escolas contra garotas, nao so muculmanas mas tambem norueguesa, pela maneira que se vestem!

Marcela Orsini disse...

Ja aconteceu comigo tambem, uma vez um negao me seguiu no tram e veio puxar papo, disse que gostou da maneira que eu andava. Como ele me tratou com educacao eu fui simpatica mas disse que era casada e estava indo trabalhar e tchau tchau. Outra vez ali na centralstajion um negao desses que ficam ali oferecendo droga veio falar comigo. Eu ja tava irritada porque tinha discutido no telefone com meu namorado, dei-lhe um esporro e comecei a gritar com ele, ai ele saiu fora KKKK
Nao dou confianca e nem deixo me intimidarem, eles podem tentar botar banca porque sabem que nao somos norueguesas, porem se encostar em mim eu ligo logo pra policia ou faco um escandalo pra alguem chamar a policia pra mim... As leis aqui protegem muito as mulheres, e cabe a gente botar no seu devido lugar esses que ainda nao sabem disso ( ou entao ignorar) agora me amedrontar eles nao vao, ja passei por muito pior no Rio onde nem nos policiais a gente pode confiar.

Unknown disse...

E em relação aos negros, há preconceito?

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