Geralmente eu não gosto de expor muito minha vida privada na internet, acho desnecessário, pq o que eu faco ou deixo de fazer só diz respeito a mim. Mas a partir do momento em que eu me dispus a escrever sobre a Noruega, eu senti a necessidade, quer dizer, eu acho justo dividir com vocês um pouco sobre o meu passado e presente para que assim vocês entendam melhor o meu ponto de vista e opiniões, pq como diria meu professor de física: Tudo na vida depende do ponto de referência, e eu quero dividir com vocês o meu.
Eu nasci na cidade do Rio de Janeiro, no bairro da Tijuca, em julho de 1983. Meus avós maternos eram portugueses, e a minha avó paterna é descendente de escravos, eu particularmente amo essa mistura. Meus pais são funcionários públicos, assim como meus tios, e meus irmãos... Quer dizer, eu tenho um tio que é ovelha negra como eu, que trabalha com vendas assim como eu, bom abafa o caso.
Vocês podem imaginar que minha mãe não ficou nada satisfeita com a minha vinda p/ Noruega, e quando eu ligo p/ ela nos meus dias de tristeza ela sempre diz que a porta está aberta em caso de que eu queira voltar (sentiram a malicia da minha velha né?). Eu até provei o gostinho de "ser" uma funcionária pública quando estagiei por dois anos no Banco Central. Mas uma coisa vou dizer a vocês, eu teria sido a pessoa mais frustrada e infeliz da face da terra se eu tivesse permanecido no Brasil. Eu tenho algo dentro de mim que não me deixa ficar parada... Eu precisava viajar o tempo todo, ver coisas novas o tempo todo, experimentar, arriscar, viver... E uma vida estável como funcionária pública é exatamente o oposto de tudo o que eu queria p/ mim... Mas enquanto eu estive no Brasil eu fiz a minha parte, estudei em um colégio particular de freiras (mas sempre matava as aulas de religião), me formei em letras em uma faculdade pública (só o bacharelado, faltou a licenciatura), fiz cursinho de espanhol e inglês (o de inglês por muito pouco tempo diga-se de passagem, eu odiava!), estagiei, trabalhei, fiz tudo o que se esperava de uma jovem de classe média brasileira. Eu nunca fui rica, mas tive uma infância e adolescência bem tranquila, é bem difícil se tornar uma guerreira quando se tem tudo muito fácil, e eu fui criada basicamente por empregadas, pq moravávamos na zona Oeste e minha mãe trabalhava em Niterói, MUITO longe. Ficava doente, tinha o plano de saúde do meu pai que era excelente, pedia um presente caro no natal e ganhava, viajavamos com frequência, quer dizer, pelo menos uma vez por ano era certo visitar um outro estado. Ao contrário do que a maioria pensa, nem todo mundo que vem p/ Europa é pq está passando fome no Brasil. Eu perdi muito em alguns aspectos de "qualidade de vida", comparando com o que eu tinha no Brasil, mas ganhei muito em outras áreas. Mas bom, continuando... Eu sempre gostei muito de tudo que é relacionado a computador, e quando jovem amava msn (hoje odeio), e lá eu falava com todo o tipo de gente, tipo, amava salas de bate papo... mas sempre que ia falar com um brasileiro era papinho de sexo... que saco! Isso é bom de se fazer, não de se falar!!! Fiquei curiosa sobre a sala de estrangeiros... a coisa rolou tão bem que eu acabei fazendo um cadastro em um site de relacionamentos, o match.com. Quando eu vi a foto do meu marido foi amor a primeira vista... me lembro como se fosse hoje, minha amigas me sacaneando dizendo que ele era muita areia p/ meu caminhão... e eu sempre dizendo, vou me casar com esse homem, vou me casar com ele... sim eu finalizei meu relacionamento anterior por causa dele, e pq tb já não estava bom, se não nada nos separaria. Comecamos a nos falar em 2006, todo santo dia, então ele veio ao Brasil no inicio de 2007 (PS:. meu marido tem pavor de voar), eu fui a Noruega em junho por um mês e depois em agosto e fiquei até novembro. Em fevereiro de 2008 ele veio ao Brasil para conhecer minha familia e fizemos uma grande festa de noivado. Não foi fácil deixar minha familia e amigos, eu me lembro que eu chorava tanto no dia do meu noivado que minha prima tinha que consertar minha maquiagem a cada meia hora... Cheguei a Noruega em marco decidida a casar. Casei em maio em uma Igreja Católica. Esperei 7 meses desde a minha chegada até o recebimento do meu primeiro visto, e 8 meses para comecar o curso de noruegues e aprender a lingua (o curso de norueguês p/ mim era um paraíso, várias culturas juntas, eu queria falar com todo mundo, perguntar tudo, eu vivia pelos corredores). Meu primeiro emprego foi como professora de português para estrangeiros em um cursinho em Oslo, amei, mas naquela época eu falava o norueguês MUITO mal, rsrsrsrs, mas ainda recebi comentários super positivos dos alunos, as vezes eu acho que vai muito da energia que você passa p/ pessoas...
Pois bem, vou completar três anos na Noruega no dia primeiro de marco, e estou muito satisfeita com o meu nivel de norueguês e com a minha colocacão no mercado de trabalho, mesmo sabendo que eu ainda tenho muito o que aprender e crescer. Aqui eu virei guerreira, e estou satisfeita com a minha "nada mole vida" (vai gente, não é nada fácil p/ uma carioca da gema, popular e "mimada" virar a vida totalmente do avesso).
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Então, terminando, se alguém achar que as vezes eu pego um pouco pesado com a Noruega, por favor, leve em consideracão primeiro o meu "ponto de referência", ok?
Eu não sou uma pessoa pessimista, mas também não tenho sindrome de Poliana!!!! Eu me considero no nivel: normal p/ um pouco louco, rsrsrsrs.
Com Carinho,
Carolina Krogedal